Definição
A
movimentação de material refere-se ao movimento de produtos em uma pequena
distância dentro de uma área. Deslocamento de qualquer material em qualquer
superfície ou combinação de superfícies, por quaisquer meios que incluam a
estocagem (movimento com velocidade zero) numa mesma empresa. O deslocamento
entre as empresas é denominado transporte
Conceituação - Movimentação de materiais é definida pelo Material
Handling Industry of America (MHIA) como “deslocamento, armazenagem, proteção e
controle de materiais através da fábrica e nos processos de distribuição, incluindo
seu consumo e disponibilidade”.
A
movimentação de materiais deve ser feita de forma segura, eficiente, com baixo
custo, na hora certa, com acurácia (o material correto na quantidade correta
para o local correto) e sem danos aos materiais.
O
custo de movimentação é estimado em torno de 20 a 25% do custo total de
manufatura (EUA). Esta proporção varia em função do tipo de produção e do grau
de automação nas funções de movimentação.
Deslocamento
de cargas - Alguns autores diferenciam o deslocamento de
cargas no âmbito das fábricas do deslocamento externo, ou seja, entre fábricas,
de fábrica para centros de distribuição ou de consumo. Dentro da fábrica, este
deslocamento pode ser:
Ø
Manuseio: deslocamento
utilizando a força física dos operários.
Ø
Movimentação: deslocamento
utilizando equipamentos adequados.
Fora
da fábrica, o deslocamento é denominado transporte.
Princípios
da movimentação de materiais - Teoricamente
existem alguns princípios básicos formulados para a movimentação de materiais. São
eles:
Princípio
1 – Princípio do Planejamento
Toda
movimentação de materiais deve ser resultado de um plano no qual as
necessidades, os objetivos de desempenho e a especificação funcional dos
métodos propostos estejam totalmente definidos desde o início.
Ø O plano deve ser
desenvolvido por meio de consultas entre o planejador, os usuários e os
benefícios do equipamento empregado.
Ø O sucesso no
planejamento de um projeto de movimentação requer uma equipe formada por
fornecedores, consultores e usuários especialistas nas áreas de gerência, engenharia,
sistema de informação, finanças e operação.
Ø O plano deve
refletir os objetivos estratégicos da empresa e suas necessidades imediatas.
Princípio
2 – Princípio da Padronização
Os
métodos de movimentação de materiais, equipamentos, controles e softwares devem
ser padronizados dentro de limites para que se atinja os objetivos totais de
desempenho sem sacrificar a flexibilidade, a modularidade e rendimento.
Ø Padronização
significa menor variedade e customização nos métodos e equipamentos empregados.
Ø A padronização
se aplica aos tamanhos dos contentores e às diversas formas das cargas, além
dos procedimentos de operação e equipamentos.
Ø Padronização, flexibilidade
e modularidade não devem ser incompatíveis.
Princípio
3 – Princípio do Trabalho
O
trabalho de movimentação de materiais deve ser minimizado sem sacrificar a
produtividade e o nível dos serviços requerido para a operação.
Ø A medida do
trabalho de movimentação de materiais é a taxa de fluxo (volume, peso ou
quantidade por unidade de tempo) multiplicada pela distância de movimentação.
Ø
Deve-se
considerar a retirada ou colocação na armazenagem como movimentos distintos e
componentes da distância de movimentação.
Ø A simplificação
de processos por redução, combinação ou eliminação de movimentos desnecessários
reduz o trabalho.
Ø O Princípio do
Trabalho se aplica universalmente, desde a movimentação mecanizada em uma
fábrica até qualquer modal de transporte.
Ø O Princípio do
Trabalho é melhor implementado por um planejamento de layout apropriado: localização
do equipamento de produção em um arranjo físico que corresponda aofluxo de
trabalho, para minimizar as distâncias que devem ser percorridas pelos
materiais durante o processo.
Princípio
4 – Princípio Ergonômico
As
capacidades e limitações humanas devem ser reconhecidas e respeitadas no
projeto das tarefas de movimentação, dos equipamentos e das operações.
Ø Ergonomia é a
ciência que procura adaptar o trabalho, ou as condições de trabalho, às
habilidades do trabalhador.
Ø Todo projeto
deve considerar a segurança do operador.
Ø O Princípio
Ergonômico considera as tarefas físicas e mentais.
Ø Os equipamentos
devem ser selecionados para eliminar movimentos repetitivos e trabalho manual
extenuante, integrando os trabalhadores e o sistema.
Princípio
5 – Princípio da Carga Única (unitizada)
As
cargas unitizadas devem ter tamanho e configuração apropriados para alcançar os
objetivos de movimentação de materiais e de inventário, em cada estágio da
cadeia de suprimentos.
Ø Um unitizador é
algo que pode ser armazenado ou movimentado como uma entidade única em um
intervalo de tempo, como paletes, contentores ou contêineres, sem considerar a
quantidade de itens individuais que formam a carga.
Ø A movimentação
de cargas unitizadas exige menor esforço e trabalho.
Princípio
6 – Princípio da Utilização de Espaço
O
uso do espaço disponível deve ser eficaz e eficiente.
Ø O espaço em
movimentação de materiais é tridimensional, normalmente considerado cúbico.
Ø Em áreas de
armazenagem o objetivo da máxima densidade armazenada deve ser balanceado em
relação à acessibilidade e à facilidade de selecionar itens.
Princípio
7 – Princípio Sistêmico
As
atividades de movimentação e armazenagem devem ser totalmente integradas para
formar um sistema operacional coordenado que envolve recepção, inspeção, armazenagem,
produção, montagem, embalagem, unitização, seleção, expedição, transporte e
movimentação de retorno.
Ø A integração de
sistemas deve envolver toda a cadeia de suprimentos, incluindo a logística
reversa. Deve incluir fornecedores, fabricantes, distribuidores e clientes.
Ø Os níveis de
inventário devem ser reduzidos em todos os estágios de produção e distribuição
considerando as variabilidades de processo e os serviços ao cliente.
Ø Os fluxos de
informação e físico de materiais devem ser integrados.
Ø Os métodos devem
prover facilidade de identificação de materiais e produtos para determinar sua
localização e status entre instalações e na cadeia de suprimentos.
Princípio
8 – Princípio da Automação
As
operações de movimentação devem ser mecanizadas ou automatizadas onde puderem
aumentar a eficiência e reduzir custos, eliminando o trabalho manual repetitivo
ou potencialmente inseguro.
Ø Em qualquer
projeto que considera automação os processos pré-existentes e métodos devem ser
simplificados antes da instalação de sistemas mecanizados ou automatizados. Cada
análise deve eliminar os passos desnecessários no método.
Ø
Itens que
poderão ser movimentados automaticamente devem ter formas padronizadas ou
características que permitam a mecanização ou automação.
Ø As interfaces
são críticas para o sucesso da automação, incluindo equipamento-equipamento, equipamento-carga,
equipamento-operador e comunicações de controle.
Princípio
9 – Princípio do Meio-ambiente
O
impacto no meio-ambiente e o consumo de energia devem ser considerados como
critério no projeto e seleção de alternativas de equipamentos e sistemas de
movimentação de materiais.
Ø Contentores, paletes
e outros produtos usados para proteger unidades de carga devem ser projetados
visando reúso quando possível ou biodegradação após sua disponibilidade.
Ø Produtos
classificados como perigosos têm necessidades especiais com vista à proteção
contra vazamentos, combustibilidade e outros riscos.
Princípio
10 – Princípio do Custo do Ciclo de Vida
Uma
análise econômica completa deve considerar o ciclo de vida total de toda a
movimentação de materiais e os sistemas resultantes.
Ø O custo do ciclo
de vida inclui todas as despesas que ocorrem entre o instante no qual o
primeiro valor é gasto para planejar um novo método de movimentação até a
substituição total do método, peças ou equipamentos.
Ø Este custo
inclui o investimento de capital, instalação, preparação e programação de
equipamentos, treinamento, sistemas de testes, operação (mão-de-obra, utilidades,
etc.), manutenção e reparos, além de outras despesas.
Ø Um plano de
manutenção preventiva ou preditiva deve ser preparado para os equipamentos; os
custos de manutenção e substituição de partes devem ser incluídos na análise
econômica.
Ø Um plano de
longo prazo de substituição de equipamentos obsoletos deve ser preparado.
(Fonte: Apostila de Sistemas de Armazenagem e Movimentação, professor
Álvaro Prado, Logística, FATEC-BS)
(Fonte:
Dicionário de Transportes)